Aqui no blog do BOW já se referiu a importância da seleção e priorização dos mercados na abordagem internacional. Também se detalhou as principais premissas para internacionalizar, neste artigo o objetivo é robustecer a abordagem a mercados menos tradicionais.

Quando uma empresa sente dificuldade na obtenção de informação sobre um determinado mercado, deverá estimar a sua potencialidade através de indicadores (económicos, sociais, culturais, etc) que possam ser considerados relevantes e que influenciem a escolha ou a procura pelos produtos oferecidos pela empresa.

Também as variáveis culturais e religiosas adquirem uma importância a ter em consideração para a generalidade dos produtos. Por vezes, existem já informações ou estudos relativos a determinados produtos e ao seu consumo nos mercados-alvo, informações que deverão sempre ser tidas em conta pela empresa. Há mesmo imensas fontes e estudos de acesso livre que se encontram disponíveis e podem ajudar na tomada de decisão.

A partir dessa informação já disponível, a empresa poderá estimar a aceitação/procura futura pelos produtos que pretende colocar nesses mercados externos. Paralelamente a esta possibilidade, e caso o produto a internacionalizar possua características muito específicas e diferenciadoras, é de todo conveniente a realização de estudos de mercado específicos ou recorrer a consultoria especializada no destino para uma melhor perceção da aceitação do produto no mercado-alvo.

O período da crise financeira (2008/2012) teve um contributo decisivo para a manutenção ou para o declínio de alguns dos mercados externos mais tradicionais para as empresas portuguesas. Este período de maior instabilidade económica tornou-se bem visível e correspondeu ao aproveitamento de uma oportunidade de expansão das relações comerciais para novos mercados (até então não tradicionais), dado que que as chamadas economias emergentes estão, normalmente, em contraciclo em relação a taxa de crescimento das economias mais desenvolvidas, apresentando taxas de crescimento bastante elevadas.

A grande vantagem dos mercados emergentes é o impacto que têm hoje na procura mundial, expansão do comércio internacional e dinamização dos blocos comerciais regionais – como é o exemplo do sudeste asiático

Nesta linha de raciocínio, as empresas enfrentam dois tipos de dificuldades – uma infraestrutura não favorável à realização de negócios, assim como o facto de a informação muitas vezes disponível sobre esses mercados ser escassa e fragmentada. Por um lado, o primeiro obstáculo tem influência nos modos de entrada nesses mercados, sendo que diferentes níveis de parcerias e alianças poderão contribuir para a considerável redução de custos e riscos específicos associados.

Por outro, o segundo obstáculo encontrado pelas empresas prende-se com a exigência da recolha direta de informação, utilizada para a realização de comparações com outros mercados e outra informação de referência.
Se com relativa facilidade é possível para as empresas encontrar informação sobre os aspetos financeiros e demográficos dos mercados de destinos, é de todo conveniente que essas informações sejam complementadas com dados mais específicos sobre as características da população e dos seus canais de distribuição locais.

Para isso, é importante o desenvolvimento de contactos diretos com entidades que conheçam o meio local nesses mercados (como são exemplo a AICEP e as várias delegações e delegados espalhados pelo mundo). O incremento deste tipo de contactos e formação de parcerias é fundamental no acesso a novos mercados, principalmente se tivermos em consideração os produtos colocados localmente, ou a necessidade de acesso a matérias-primas, infraestruturas ou outros recursos eventualmente necessários para que a empresa
opere localmente.

Apesar da grande exigência em termos de estudo e preparação da entrada nesses mercados, os mercados emergentes constituem um conjunto de grandes oportunidades que poderão ser exploradas pelas empresas. No entanto, estas oportunidades são, regra geral, acompanhadas de desafios estruturais (como o quadro legal, as fracas infraestruturas de transporte, etc), de uma escassez ao nível do tecido produtivo e de elevados custos de operação, entre outros.

Maior risco, maior rentabilidade…por outro lado, menor risco menor rentabilidade (…)

Dependendo do modelo de internacionalização, os mercados emergentes podem apresentar grandes desafios. Se o objetivo for a exportação direta a oportunidade nestes mercados é vasta, mas se o modelo perspetivar inclusão na cadeia de valor, por exemplo com deslocalizações produtivas o nível de risco pode ser elevado, devendo ser gerido e ponderado na estratégia de abordagem.

Além disso, é importante ter em consideração que estes mercados são também apetecíveis para empresas de países substancialmente mais ricos, economicamente e tecnologicamente mais preparados, o que pode conferir-lhe vantagem relativamente às empresas portuguesas em alguns aspetos.

Em jeito de conclusão, a verdade é que esse facto, por si só, não deverá conter a ambição das empresas portuguesas, que face a essa hipotética desvantagem comparativa deverão percorrer um caminho de aposta muito mais na adequação dos seus produtos e serviços, na sua capacidade de adaptação e diferenciação face aos concorrentes internacionais, assim como utilizar a seu favor a experiência já adquirida pela presença noutros mercados.

(…) o mercado com maior liberdade de actuação está fora do espaço EU e com tendência para crescer nos próximos anos!

O comércio de mercadorias entre os Estados-Membros (comércio intra-UE) representa quase dois terços mais que o valor das exportações da UE-28 para países terceiros (comércio extra-UE). A importância do mercado interno da UE esteve patente no facto de o comércio intra-UE ter sido superior ao comércio extra-EU. Dai que o mercado com maior liberdade de actuação está fora do espaço EU e com tendência para crescer nos próximos anos!

Autor: Equipa de conteúdos do BLOG do BOW @10,2019